sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Não adianta pai, eu não vou desistir!

Um dia estava lendo um post da Renata e ela falou sobre os planos A, B, C...Z do pai dela. Isso me fez lembrar uma situação parecidíssima que vivi com meu pai.
Meu pai sempre achou ótimo que os filhos estudassem fora (fora da cidade e fora do país), mas sempre que chegava a minha vez, ele boicotava.
Eu lembro que queria muuuuuuuuuuuuito fazer faculdade em São Paulo (eu queria fazer Jornalismo) e ele me incentivou demais. Contratou um motorista pra me levar no Mackenzie, fiz minha inscrição, mas uns dias antes do vestibular ele veio com uns papos estranhos e eu sabia que mesmo que passasse seria difícil sair de casa. Minha frustração seria maior do que a de não passar, então resolvi não fazer a prova.
Fiquei em Araraquara, passei em Jornalismo, mas fui fazer Direito. Meu pai ficou felicíssimo, ganhei meu primeiro carro (que até hoje foi o que eu mais gostei) e ficou tudo bem...por 6 meses! Eu não me conformava em não ter saído de casa e odiava o curso de Direito (a faculdade também era horrorosa), então conversamos e ele aceitou que eu largasse o curso. Foi a maior decepção que dei a ele. Mas...não estou no mundo pra fazer ninguém feliz. Se eu conseguir isso, ótimo, se não...paciência! O que eu quero mesmo é ser feliz. Fui atrás de outro curso e de outra faculdade, claro! Ele me deu a idéia de fazer Jornalismo no Guarujá, pois temos apartamento lá e ele teria um ótimo pretexto pra descer a serra todo final de semana. Sair de casa pra ter a visita dos pais todo fim de semana eu não queria. Resolvi fazer Psicologia em Araraquara e ter uma vida confortável com carro, comida, roupa lavada e passada, mesada...
Fiz planos de ir pra Itália e ficar 1 mês, vir pros EUA (não como au pair), mas ele sempre inventava uma história e eu ficava lá...no meu mundinho.
Quando resolvi que viria pra cá de qualquer jeito, ele usou todos os argumentos que tinha, mas como eu não aceitei ele disse que não tinha dinheiro. Não sou rica, mas ele teria condições de me manter aqui por alguns meses sem muito luxo. Foi aí que fui atrás do Programa Au Pair.
Quando eu mostrei o programa a ele, ele leu e disse: "Então eu gasto dinheiro 5 anos pra você ser uma Psicóloga e você me diz que quer ser babá?". Nada contra a profissão, venho de uma família muito simples e humilde, e meus pais sempre me ensinaram que qualquer trabalho honesto é bonito. O que ele não aceitava era eu ter optado ser empregada uma vez que eu poderia trabalhar sem patrão. E mais! Eu tinha tomado a minha decisão e ele me conhece o suficiente pra saber que quando eu coloco uma coisa na cabeça NINGUÉM tira. Difícil é eu ter certeza absoluta sobre alguma coisa que eu realmente quero, mas quando isso acontece é porque já pensei muito sobre e a decisão foi tomada, não tem mais jeito.
Queria vir no meio da faculdade, mas fiquei com medo de não querer voltar tão cedo e esperei terminar. Terminei, me inscrevi no programa, mas tive um sério problema que me fez cancelar tudo por tempo indeterminado. De 2007, quando eu me inscrevi, só voltei a pensar no assunto novamente em 2009. Aí foi rápido! Me inscrevi novamente, já tinha pago uma parte, entreguei o app, fiquei online, em 20 dias entrei em contato com 6 famílias, fechei com uma e 1 mês depois eu já estava aqui.
Nesses 2 anos ele fez de tudo para que eu desistisse. Pagou um curso de Psicólogo Perito pra mim, pagou outro de Recrutamento e Seleção, quis abrir uma clínica de Psicotécnico na cidade em que eu escolhesse, me deu a idéia de fazer Hotelaria em Aguas de São Pedro, insistiu pra que eu prestasse concurso e aí eu dizia: "Posso fazer isso quando eu voltar dos Estados Unidos".
Ele viu que não tinha mais jeito messssssssssssssmo! Tivemos várias discussões por conta disso, ele dizia que eu não tinha estrutura emocional pra ficar tão longe de casa, que o trabalho era muito pesado pra mim, mas eu não levei nada disso pro lado ruim. Como pai, ele só quer o meu bem, SEMPRE! Quando eu estou por perto ele tem controle sobre tudo e pode me proteger de (quase) todos os males.
Eu sou a primeira filha, fui planejada, muuuuuuuuuuuuuito esperada, fui a primeira neta por parte de pai, primeira sobrinha e fui bastante mimada durante a minha infância (e um pouquinho também na adolescência e na vida adulta...rs). Ao mesmo tempo que ele sabia os benefícios que eu teria vindo morar aqui, ele pensava nas dificuldades que eu poderia passar (e que, relamente, estou passando) e só queria evitar um sofrimento desnecessário (Desnecessário? Não sei...estou achando fundamental).
Entendo a atitude dele, pois sou igualzinha em relação ao meu irmão. Aqui eu estou enxergando as coisas de uma outra forma e espero dar mais "espaço" pro meu eterno bebê. rs
E hoje? Como está sendo tudo isso pro meu pai?
Garanto que está sendo maravilhoso! Dad está extremamente feliz e acho que esse é o maior orgulho que dei pra ele na vida (a ilusão que ele viveu durante meus 6 meses de faculdade de Direito não conta porque eu abandonei o curso). Sei que encho ele de alegrias e tristezas, que ele se orgulhou de mim quando consegui meu primeiro emprego (sem indicação, por mérito mesmo), quando me formei, mas estar aqui, estar FELIZ aqui é o que ele gosta de contar aos amigos e familiares. Meu pai enche a boca pra falar sobre mim! E acho que se eu tivesse escolhido outra forma pra estar aqui (com ele por trás $$$) não seria tão interessante.
Ele sempre acreditou em mim, quando me colocava pra baixo e tentava me fazer desistir era só pra me proteger. Como a primogênita ele fez 1001 planos pra minha vida e acho que nenhum se concretizou (no livrinho do bebê ele escreveu que queria que eu fosse bailarina...pena que o ballet NUNCA me agradou, eu queria era jogar futebol), mas sei que ele está feliz por saber que eu estou feliz vivendo da mameira que eu escolhi.
Já conversamos algumas vezes sobre eu ficar aqui por mais um tempo, ele acha ótimo, mas no fundo não é o que quer. Toda vez que conversamos ele fala: "Filha, estuda muito, aproveita essa oportunidade" e eu ouço dessa forma "Filha, estuda muito pra não ter que ficar aí por mais alguns meses. Por melhor que seja estar aí, prefiro você aqui, conosco".
Está tudo dando tão certo que a meta agora é mandar minha irmã respirar outros ares em algum outro país (com volta, é claro) e meu irmão pra fazer faculdade em São Paulo.
Acho que meu pai não é o único que se preocupa, o pai de muitas de vocês também deve ter sentido uma pontinha de insegurança, mas...escolham uma boa família (que agrade a eles também; eu sempre consultei meu pai sobre as famílias e só fechei com essa depois de ter recebido muito incentivo da parte dele) para tranquilizá-los e GO AHEAD!
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5 comentários:

  1. Nossa. Eu realmente me vi na tua pele lendo todo o post. Minha irmã mais velha sempre fez tudo aquilo que meu pai quis, não por ser o que ele queria mas por ser o que ela queria também. E ele queria que eu estudasse no mesmo lugar que ela estudou, e trabalhasse no mesmo lugar que ela trabalha. Mas eu decidi ser diferente. E esse é o mais difícil, ser diferente. Os pais sempre querem o melhor pra nós, só que as vezes eles esquecem que quem toma as decisões somos nós e não eles. Amei muito esse post, porque eu tenho certeza que não é uma situação que só tu, nem só eu viveu e está vivendo. Os pais são complicados. As mães normalmente acham tudo lindo e dão apoio e os pais tem medo. O papel deles é proteger né.
    Beijos Carol! E bom final de semana!!

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  2. Lendo o seu posto eu pensei no quanto vc queria compartilhar isso com os outros e no quanto vc queria mesmo era colocar "no papel" toda uma história.
    Vc recapitulou a história da sua vida e conseguiu confirmar uma coisa que eu já desconfiava. Toda aquela fase difícil já foi superada.
    Seu pai se orgulha de vc (disso eu já sabia, Paulão não se cansa de falar do quanto vc tá responsável, etc etc) e vcs são mto amigos hj!
    Tenho certeza que essa foi a escolha mais acertada da sua vida! E não se preocupe com qdo vc voltar. Deus vai colocando os caminhos pra gente, pode ter certeza!!!
    Sinto mto a sua falta aqui, mas ver como vc está aí, o seu amadurecimento, não tem preço. Se eu já me sinto assim, imagino os seus pais!!!

    AMO VC, por td isso e por mto, mas mtoooo mais.

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  3. Ahh Carol...o seu pai parece o meu..e aposto q o de mtas au pairs...é fogo...minha familia toda já está sentindo...outro dia peguei minha mãe chorando no cantinho e ela perg o q foi?ela falou assim:1 ANO SEM VC É MTA COISA!rs e chorava...e olha q eu só vou em Dezembro hen!
    rsrsrs acho q é normal...todo pai e mae quer o filho perto..nao adianta,eles nao aceitam q crescemos e queremos voar...adorei o post!bju

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  4. Parabéns pelo blog Carol! Excelente!!!
    Já estou acompanhando sempre...Serei Au Pair tbm (well, veremos...rsrs) Mas já estou no aguardo do aceite! Sério mesmo, seu blog é um dos melhores. Beijão e boa sorte nessa nada mole vida....=)

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  5. LARISSA, muito obrigada!
    Tentei achar seu blog, mas não consegui. Você tem? Se tiver, deixa o endereço aqui que eu vou te listar e te visitar.
    Boa sorte nessa nova jornada!
    Beijos

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